Hollywood Vampires tocam Pink Floyd no Rock in Rio; assista

Supergrupo se apresentou nesta quinta (24) no festival carioca com seleção de clássicos do rock, incluindo “Another Brick in the Wall pt. 2″ em medley com “School’s Out”, de Alice Cooper.

Hollywood-Vampires-Rock-in-Rio-show

OFICIALMENTE, FAZEM PARTE dos Hollywood Vampires, além de Cooper, o ator Johnny Depp e o guitarrista do Aerosmith Joe Perry, embora contem com ilustríssimos e lendários convidados, tanto nas apresentações ao vivo como no homônimo álbum lançado este mês.

Para o show no Rock in Rio também estavam fixos no palco dois ex-Guns n’ Roses e Velvet Revolver, o baixista Duff McKagan e o baterista Matt Sorum, além do guitarrista base Tommy Henriksen e do tecladista Bruce Witkin.

Hollywood Vampires Rock in Rio

Depp, Starkey, Witkin, Perry, Cooper, McKagan, Sorum e Henriksen.

Para tocar a famosa música do Pink Floyd presente no álbum “The Wall” (1979) estavam no palco o guitarrista brasileiro Andreas Kisser (Sepultura) e o baterista Zak Starkey, filho e afilhado de dois dos “Vampiros” originais (leia mais abaixo).

Kisser Vampires

Kisser com os Hollywood Vampires durante ensaio

 

Assista:

A dobradinha “School’s Out / Another Brick in the Wall pt. 2″ também está presente no álbum “Hollywood Vampires”, certamente pela comunhão do tema, já que são dois hinos contra a repressão escolar: “No more teacher’s dirty looks…” (sem mais professores com olhares agressivos, em “School’s Out”) e “No dark sarcasm in the classroom” (nada de sarcasmo sombrio na sala de aula, em “Another Brick in the Wall pt. 2″), por exemplo.

O álbum dos “Vampiros” também conta com a participação de um velho conhecido dos fãs de Pink Floyd, Bob Ezrin, descrito por Alice Cooper como “nosso George Martin”. A comparação com o produtor dos Beatles não é por menos: Ezrin compõe, arranja e toca com Cooper desde 1971, incluindo a produção do álbum “School’s Out”, em 1972, e de seu famoso “Billion Dollar Babies”, primeiro lugar nas paradas dos Estados Unidos e do Reino Unido em 1973. Talvez Ezrin tenha sugestionado, influenciado ou inspirado a citação de “Another Brick in the Wall”, já que é co-produtor de “The Wall”. Além do mais, ele trabalhou com o Pink Floyd em várias outras ocasiões, co-produzindo também os álbuns “A Momentary Lapse of Reason”, “The Division Bell” e as sessões de 1993 que deram origem a “The Endless River” (onde ainda toca baixo e teclado em algumas faixas). Também é co-autor das canções “The Trial”, “Signs of Life”, “Learning to Fly” e “Take it Back”.

 

Amigos bêbados mortos 

Sendo “um tributo à música das estrelas do rock que morreram de excesso nos anos 70″, o álbum de Cooper, Perry e Depp foi gravado por uma miríade de astros: Perry Farrell (Jane’s Addiction, e criador do Lollapalooza), Dave Grohl (Nirvana, Foo Fighters), Brian Johnson (vocalista do AC/DC), Robby Krieger (guitarrista dos Doors), Slash (Guns N’ Roses, Velvet Revolver), Zak Starkey (Oasis, The Who), Joe Walsh (The Eagles) e Paul McCartney (Beatles), além dos já citados Andreas Kisser, Duff McKagan e Matt Sorum, entre outros.

 

Se alguém pode fazer

um álbum sobre amigos

bêbados mortos, este sou eu.

ALICE COOPER

 

O álbum é aberto pela leitura de trecho do romance “Drácula”, de Bram Stoker, pelo ator Christopher Lee, famoso pelos muitos filmes como Drácula e pelo Saruman, de O Senhor dos Anéis, notório cantor de metal progressivo e que morreu apenas alguns meses após esse que foi seu último trabalho. Além de duas autorais, foram regravadas canções das bandas dos Hollywood Vampires originais (leia mais abaixo) e de seus amigos. Assim, temos “My Generation” (The Who), “Whole Lotta Love” (Led Zeppelin), “Five to One / Break On Through (The Doors), “One / Jump into the Fire” (Harry Nilsson), “Cold Turkey” (John Lennon) e “Manic Depression” (Jimi Hendrix), dentre outras. Um destaque é a ótima canção de Paul McCartney “Come and Get It” (originalmente grava pelo promissor Badfinger) em uma contagiante regravação (ouça).

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Abe Laboriel Jr. (baterista de Paul), Depp, McCartney, o produtor Bob Ezrin, Cooper e Joe Perry.

 A estreia ao vivo da banda aconteceu semana passada em Los Angeles. Além dos três membros do núcleo central mais os acompanhantes que também tocaram no Rock in Rio, fizeram participações especiais Tom Morello (Rage Against the Machine, Audioslave), Geezer Butler (Black Sabbath), Perry Farrell, Kesha e Marilyn Manson.

 

Clube dos rockstars bêbados

Tudo começou quando Johnny Depp encontrou-se com Alice Cooper em 2011 nas filmagens de “Sombras da Noite”, de Tim Burton, em Londres. Enquanto o ator fazia o premunitório papel de um vampiro, Cooper interpretava outro famoso vilão da ficção: ele próprio! Quando eles começaram a conversar, perceberam que tinham mais em comum do que era aparente, ou seja, um amor pelas bandas da Invasão Britânica e pelo blues.

O ator batalhava como guitarrista em bandas bem antes de fazer sua estreia na tela grande em “A Hora do Pesadelo” (1984). Ele tinha conseguido seu primeiro instrumento aos 12 anos, roubou um livro de acordes, abandonou a escola três anos depois e, posteriormente, transferido da Flórida para Los Angeles, abriu shows de Iggy Pop e dos Talking Heads com seu grupo de new-wave chamado The Kids.

Quando Cooper ficou sabendo que Depp ainda tocava, o convidou para se juntar a ele em um show no 100 Club, em Londres, onde eles apresentaram juntos “I’m Eighteen” e “School’s Out.”
“Ele vem e ele toca com a gente, e ele sabe tudo“, Cooper diz enfaticamente. “Não importa o que as pessoas gritassem, ele sabia tocar. ‘Brown Sugar? Sim, sim.’ Percebemos: esse cara poderia tocar.”

E depois da participação no show, ele convidou o cantor de “Feed My Frankenstein” para ir à sua casa. “Nós começamos dizendo, ‘Vamos fazer um álbum'”, continua Alice Cooper. “Eu nunca havia feito um registro de covers, então eu disse, ‘Gostaria de fazer um em homenagem a todos os nossos amigos bêbados mortos, os caras com quem costumávamos beber e que agora se foram. Eu disse a Johnny: ‘Eles estão todos mortos agora. Vamos fazer uma homenagem a eles’.”

No início dos anos 70, Cooper era presidente de um clube de bêbados composto por famosos astros do rock, eram o “Vampiros de Hollywood” originais. O trote para entrar no seleto círculo era conseguir beber mais do que todos os membros. Uma tarefa hercúlea considerando quem eram eles: John Lennon (durante o período famosamente conhecido como “Fim de Semana Perdido”), Ringo Starr (que na década seguinte, após passagens pela rehab, teve que largar a bebida), o incrível porra-louca e excepcional baterista Keith Moon (The Who), Bernie Taupin (autor da maioria das letras do Elton John), Harry Nilsson e Micky Dolenz (baterista e cantor do Monkees). Entre seus companheiros de bebida ao longo dos anos ainda estavam Jimi Hendrix e Jim Morrison.

The original Hollywood Vampires

Os Hollywood Vampires originais: John Lennon, Anne Murray (cujo concerto os Vampiros participaram), Harry Nilsson, Alice Cooper e Micky Dolenz. Troubadour, novembro de 1973.

No documentário “Prime Cuts”, Alice Cooper diz: “… O Speakeasy e o Tramps eram os lugares para se estar em Londres. Havia um pequeno sótão no Rainbow Bar and Grill, em Los Angeles (Hollywood), eles tinham aquilo só para o clube, que era eu, Keith Moon , Ringo, Micky Dolenz, Harry Nilsson, essa era a gangue, todas as noites, essas mesmas pessoas. De vez em quando John Lennon vinha para a cidade, ou Keith Emerson, e eles seriam os membros ilustres da noite. Eles ainda têm uma placa lá no Rainbow, onde diz ‘A Toca dos Hollywood Vampires’.”

Hollywood Vampires Alice Cooper Rainbow Sunset Strip

 Segundo Alice Cooper, Keith Moon “era o cara mais legal e mais engraçado. Se ele chegasse à sua casa e se hospedasse, aquela semana era como, ‘Caramba, eu preciso de umas férias’, porque ele era tão intenso. Ele ficava na minha casa por duas semanas, então ele ia para a de Harry por duas semanas e, em seguida, para a de Ringo por duas semanas.” Moon foi um dos mais próximos amigos de Ringo e era padrinho de seu filho Zak Starkey. Quando o moleque tinha apenas oito anos ficou fascinado por bateria ao ganhar um kit do baterista do The Who e receber muitas dicas do “Tio Keith”. Anos depois, essa bateria acabou sendo arrematada em um leilão por 12 mil libras e Zak Starkey se tornou um membro não-oficial da banda de seu padrinho e ídolo. Assim, foi ele quem gravou a bateria de “My Generation” no álbum dos Vampires e, no Rock in Rio, tocou na também canção da banda “I’m a Boy” e durante “School’s Out / Another Brick in the Wall pt. 2″.

Cooper, que parou de beber em 1982, lembra das amizades do grupo com carinho. A última vez que ele viu John Lennon, em um dos shows do ex-Beatle antes que ele parasse de tocar ao vivo em meados dos anos setenta, é uma memória particularmente boa. “Voltei e ele começou: ‘Eu ainda sou um vampiro?'”, Lembra Cooper. “E eu avancei: ‘sinto o cheiro de sangue’. Então ele disse ‘Eu sou um vampiro. Yeah!'”

Afinal de contas, esta é uma celebração. “Se algum cara tem permissão para fazer um álbum sobre seus amigos bêbados mortos, deve ser eu”, diz Alice Cooper, tão confiante e firme como sempre. “Trinta e três anos atrás, cheguei tão perto de me juntar a eles quanto possível, sem fazê-lo. Eu sou um sobrevivente.”

 

Referências:


- Alice Cooper and Joe Perry on Hollywood Vampires’ Drunk History (Rolling Stone)

- The Hollywood Vampires (English Wikipedia)

 

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Bloco do Pink Floyd

Organização The Carnawall (Pedralva - Sul de Minas).

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2 Respostas

  1. Gostei muito do site! parabens!

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