David Gilmour comprou desenho de “Lucy in the Sky”

O guitarrista do Pink Floyd arrematou em um leilão a obra original feita pelo garoto Julian Lennon quando tinha apenas quatro anos e que inspirou o pai a compor a famosa canção presente no álbum “Sgt. Pepper’s Lonely Hearts Club Band”, dos Beatles.

Lucy-in-the-Sky-with-Diamonds

CURIOSAMENTE, “Let There be More Light”, música composta por Roger Waters (assumido fã de Lennon) e que abre o álbum do Pink Floyd “A Saucerful of Secrets”, cita a psicodélica canção dos Beatles: “for there revealed in flowing robes was Lucy in the sky” (pois lá, revelada em mantos graciosos, estava Lucy no céu). “Point me at the Sky”, outra composição de Waters também de 1968 e último single lançado pelo Floyd até “Another Brick in the Wall Part 2″, 11 anos depois, é claramente influenciada por “Lucy in the Sky with Diamonds”, tanto em ideias melódicas – principalmente no refrão – como na construção de estrofes calmas alternadas com refrão agitado.

John Lennon escreveu a canção “Lucy in the Sky with Diamonds” em 1967 depois que seu filho Julian mostrou-lhe o desenho que fizera na escola. John disse:

“Meu filho Julian veio um dia com um desenho que ele pintou sobre sua amiga de escola chamada Lucy. Ele havia esboçado algumas estrelas no céu e o chamou de ‘Lucy no céu com diamantes’. Simples.”

“Lembro de Julian e eu desenhando em um cavalete dupla face, jogando tinta um no outro, para o horror da atendente de sala de aula. Julian havia feito uma pintura e nesse dia em especial seu pai apareceu com o motorista para buscá-lo na escola.” (Lucy O’Donnell)

“Lucy in the Sky with Diamonds” criou polêmica tão logo lançada pela associação das suas iniciais, que formam o acrônimo da droga mais em voga à época do “Verão do Amor”, em 1967, LSD (impressão reforçada pela surrealidade da letra com seus “céus de marmelada” e “porteiros de massinha com gravatas de espelho”). Embora Lennon sempre tenha negado a associação, a canção foi banida do ar pela rádio BBC:
“Foi puramente inconsciente que veio a ser LSD. Até que alguém apontou, eu nunca pensei nisso. Quero dizer, quem se preocupa em olhar para as iniciais de um título? Não é uma canção de ácido. O imaginário era Alice no barco.”

O parceiro de composição Paul McCartney confirma:
“Fui à casa de John em Weybridge. Quando cheguei, tomamos um chá, e ele disse: ‘Olhe esse desenho bárbaro que Julian fez. Olhe o título!’ Ele me mostrou um desenho em papel de escola, uma folha de uns doze por vinte centímetros; era uma menininha e um montão de estrelas, e bem no alto estava escrito, acho que a lápis, em letra de criança, bem caprichada: ‘Lucy in the Sky with diamonds’ [Lucy no céu com diamantes], aí perguntei: ‘O que isso quer dizer?’. Eu estava achando o título simplesmente fantástico. John respondeu: ‘É Lucy, uma colega de escola de Julian. E ela está no céu’. Julian tinha desenhado estrelas e depois pensou que fossem diamantes. Eram estrelas de criança, daquele jeito que as desenham com triângulos, mas Julian disse ‘diamantes’ porque podiam ser interpretadas ou como diamantes , ou como estrelas. Adoramos aquilo. Ela estava no céu, e para nós parecia uma tremenda viagem. Assim, subimos para a sala de música e começamos a compor. Mais tarde, as pessoas pensaram que ‘Lucy in the Sky with diamonds’ fosse LSD. Juro que não percebemos isso na época. Aliás, se quisermos ser pedantes, teríamos que dizer que era LITSWD, mas claro que LSD dá uma história melhor.”

 

Olhe esse desenho

bárbaro que Julian fez.

Olhe o título!

PAUL McCARTNEY

 

Segundo o biógrafo de Paul Barry Miles, “o título provavelmente fora escrito em letra de caderno de caligrafia pela professora de Julian, já que o menino tinha apenas quatro anos de idade. John disse que as imagens psicodélicas se inspiravam no capítulo ‘Lã e água’ de ‘Alice através do espelho e o que ela encontrou por lá’, o livro de Lewis Carroll.”

Paul: “John tinha o título e a primeira estrofe. Começamos muito à maneira de Alice no País das Maravilhas. Quando apareceu o psicodelismo, aquele jeito vertiginoso das histórias da Alice se mostrou perfeito. Por isso, simplesmente fomos levando. Sentei lá e compus a canção com John: contribuí com ‘cellophane flowers’ [flores de celofane] e ‘newspaper taxis’ [táxis de jornal], e John respondeu com ‘kaleidoscope eyes’ [olhos de caleidoscópio]. Lembro quem fez o quê, e isso porque ficamos permutando palavras um com o outro, do jeito que sempre fazíamos… E, para nós, era uma coisa à maneira de Alice, que ambos adorávamos.”

Em 2009, Lucy O’Donnell faleceu em decorrência de lúpus, séria doença autoimune, e seu ex-colega Julian Lennon prestou seu tributo com o lançamento de um EP com renda destinada à Lupus Foundation. Para a capa do álbum, chamado “Lucy”, a escolha óbvia seria o desenho original, que se encontrava perdido. Foi quando Julian revelou:

“[o desenho] se perdeu. Como foi encontrado ou quem pode tê-lo tomado, eu não tenho ideia, mas agora foi reencontrado e David Gilmour, do Pink Floyd, o possui e gentilmente nos permitiu usar uma cópia do mesmo para a arte do álbum”.

 

Referências:


 

- “Turn on Your Mind: Four Decades of Great Psychedelic Rock” (Jim DeRogatis)
- “Pink Floyd FAQ: Everything Left to Know… and More!” (Stuart Shea)
- “Nos Bastidores do Pink Floyd” (Mark Blake)
- “Many Years from Now”, biografia autorizada de Paul McCartney (Barry Miles)
- Revista Rolling Stone
- Feelnumb

FacebookTwitterGoogle+PinterestCompartilhar

Bloco do Pink Floyd

Organização The Carnawall (Pedralva - Sul de Minas).

você também pode gostar...

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado Campos obrigatórios são marcados *

Você pode usar estas tags e atributos de HTML: <a href="" title=""> <abbr title=""> <acronym title=""> <b> <blockquote cite=""> <cite> <code> <del datetime=""> <em> <i> <q cite=""> <strike> <strong>